Em entrevista ao site Collider, Brie Larson e o ator John Goodman falaram sobre o novo filme ‘Kong: Ilha da Caveira’, e a atriz ainsa falou sobre o Universo Marvel e seus futuros projetos.

PERGUNTA: Brie, devido ao excesso de CGI no filme, qual foi a cena mais difícil de filmar?

BRIE LARSON: Eu acho que é menos sobre uma cena em particular e mais sobre a experiência por inteiro. Foi correr em uma pista de obstáculos, 10 horas por dia, todos os dias. Teve muito movimento nesse filme. Eu acho que só tem uma cena onde nós estamos parados e conversando. Você nos vê caminhando em uma cena, e talvez seja 30 segundos do filme, mas provavelmente significa que nós passamos o dia todo subindo colinas ou correndo sobre cemitérios. Foi realmente exaustivo, de um jeito que eu nunca tinha experimentado antes. Eu tive esgotamento mental. Eu nunca havia chegado a esse ponto de pressionar você mesmo até o limite, e é incrível o que o seu corpo consegue fazer. Foi divertido!

Foi mentalmente cansativo sempre tentar descobrir onde o monstro estava e quão grande ele era, o tempo todo? 

BL: Você tem conversas muito estranhas com o seu diretor, que são diferentes de outros filmes. Com outros filmes você interpreta uma pessoa e vocês conversam tipo “Bom, eles disseram isso desse jeito, então me fez reagir assim. Como nós podemos mudar a dinâmica? “. Com esse [filme] você começa de um ponto de vista totalmente desconhecido, então quando a criatura aparece, você se pergunta, “Como ela se parece? Como seus olhos se parecem? Parecem como se ela estivesse tentando me devorar, ou como se ela estivesse tentando ser boa comigo? Com que tipo de animal nós podemos comparar?” Existem todas essas perguntas que você não está acostumado a lidar pois é tudo imaginário. Não é como se nós tivéssemos vídeos para ver. Vocês só tem que estar na mesma página. Tem as bolas de tênis, mas daí é tipo, “Bom, o que é a bola de tênis? É uma má bola de tênis, ou uma boa bola de tênis?”

JOHN GOODMAN: É algo que eu venho fazendo desde antes de ser um profissional. Eu fazia peças na igreja, e você tem que usar sua imaginação. Era onde eu vivia, todos os dias,  de qualquer forma. Você só pergunta coisas do tipo,  “Quanto de água tem na boca dele? O que tem ali? Qual o seu cheiro? O quanto vai doer quando ele pisar em mim?”

BL: É divertido!

Brie, como você se preparou para esse papel?

BL: Eu treinei. A Legendary me conseguiu um personal trainer, então eu comecei a treinar. Eu já tinha treinado antes, quando fiz ‘O Quarto de Jack’, mas foi um treino diferente. Para ‘O Quarto de Jack’, era pra eu ser resistente e pequena. Para esse, eu estava realmente aumentando. Você se sente diferente no seu corpo, quando você tem essa força.

JG: Ela poderia matar alguém!

Você interpreta uma foto jornalista nesse filme. Você é uma fotografa ou você teve que aprender sobre isso? 

BL: Eu usei uma câmera Leica nesse filme, e eu nunca tinha usado uma destas, portanto eu não tirei fotos com ela, eu não sabia como iria funcionar. No lugar disso, eu usei a minha câmera, que é uma Canon Ae1. Eu tive aulas de fotografia, anos atrás, e aprendi a como revelar o filme, então eu estava ansiosa para fazer isso de novo. Eu tento achar um hobby meditativo para fazer no set, e é diferente para todo filme. Há muito tempo livre,  mas eu não gosto de ler no set porque parece que você está se isolando do seu mundo, ao invés de ficar presente. E aí, você acha que não está pronto para o que tem que fazer. Eu tirei muitas fotos.

JG: Eu comecei a tirar fotos porque ela estava tirando muitas. Eu pensei, “Ei, é melhor eu entrar na moda!”. Mas parei de tirá-las.

BL: Eu comecei a tirar fotos como uma forma de continuar conectada e manter minha mente ativa. A mochila da minha câmera começou a ficar muito pesado com o tempo, pois eu queria que fosse legítimo. Eu tinha todas as minhas lentes extras e filme na minha mochila. Eu tinha esse guarda-roupa de costura em todos os bolsos extras, no caso das pessoas entenderem a lógica de eu ter todos esses rolos de filmes. Muito rapidamente, eu entendi o peso da mochila e das câmeras, que foi motivo dos treinos terem sido tão importantes. Você tem 4kg envolta do seu pescoço. Então, eu comecei a tirar fotos, e aí me dei em conta que eu não poderia tirar fotos para serem reveladas porque elas eram fotos secretas do ‘por trás das câmeras’. Então eu contatei a Legendary e a Warner Bros. e disse, “E se nós fizemos algo disso, se eu tirasse fotos de verdade, como se fosse a personagem? Eu faria por trás das câmeras, mas você não verá ninguém da equipe. Elas só serão fotos”, e eles gostaram. Nós tínhamos nosso próprio segredo, onde eu mandava os rolos de filmes para eles, e eles tinham o próprio laboratório secreto, onde eles as revelavam.

Brie, não interpretar a heroína clássica do Kong foi uma atração para esse projeto? 

BL: É, eu acho que foi uma das razões que eu fiz isso

JG: Para a heroína?

BL: Não. Foi um jeito de transformar essa alegoria na sua cabeça, um pouco. Nós estamos em uma época diferente agora, e eu acho que nós estamos prontos para ver outros tipos de heróis femininos. O que é interessante sobre a Weaver, é que ela é difícil e durona, mas ela é sensível. Essa é a força dela. Ela está usando seu coração e sua humanidade para, na verdade, salvar todos eles. Não é necessário toda essa correria, força bruta, explosões e armas. Só levou ter uma simples conexão. Isso foi o que salvou a vida deles. Eu acho que isso é uma lição incrível.

Você será capaz de carregar isso para interpretar a Captain Marvel no Universo Cinematográfico da Marvel?

BL: Eu acredito que apenas ver mulheres serem fortes e duronas não responde a pergunta de como uma heroína realmente é. Mulheres têm suas próprias habilidades que valem a pena serem exploradas e vistas nas telonas. Eu acho que é muito fácil dizer, “Nós vamos apenas mudar o nome desse personagem masculino, para um feminino, mas ela fará todas as coisas que um homem faz”. Eu não acredito nisso. Eu acho que há algo mais. Há mais para mulheres do que isso. Mason [em Kong: Ilha da Caveira] é um bom exemplo disso, e Captain Marvel vai ser outro ótimo exemplo disso e de explorar mais a fundo como mulheres lideram e de como isso é único e diferente.

Como foi a experiência de filmar no Vietnã?

JG: Eu amei! Foi totalmente exótica para mim. Primeiro de tudo, nós estávamos no centro de Hanoi. O hotel era muito ocidentalizado, mas sair de lá e se perder, eu cavei as pessoas,  a comida e o cheiro. Foi inacreditável.

BL: E as pessoas eram muito, muito legais.

JG: Para ir trabalhar, nós tínhamos que pegar ônibus d’agua que as mulheres remavam com os pés para nós. Eles têm ótimas cavernas também. Era lindo.

BL: Uma vez que estávamos no Vietnã, senti que viajávamos a cada três dias, ou a cada semana. Nós fomos para diferentes áreas do Vietnã. A comida era muito boa. Você podia comer o que quisesse lá, e estava tudo bem. Todos os ingredientes eram frescos. A comida era muito limpa. Eles não podem mesclar o sabor, pois preservam o sabor puro, então eu comia tudo que conseguia. Eu fui numa excursão culinária, e eles nos levaram a vários lugares. Eu também comprei muitas coisas. Eu tive que comprar outra maleta para todas as coisas que eu comprei, e eu ainda assim queria ter comprado mais. Eu também comprei muitas coisas como presentes.

Qual foi a melhor coisa que vocês fizeram enquanto estavam lá?

BL: Nós seguramos bebês coalas.

JG: Nós fomos num zoológico de cangurus.

BL: Era um santuário de animais, não um zoológico de cangurus. Era muito mais legal que isso. Eu fiz essa coisa de Brie-kends (fins de semana da Brie), que nós planejávamos finais de semana divertidos. Eu não sou muito de sextas a noite, uma pessoa de “Vamos para uma festa!”, eu sou mais, “Sexta a noite, vamos jogar algo!”

Brie, o que você se lembra da noite do Oscar?

BL: Eu não me lembro de nada.

Onde você mantém seu Oscar? 

BL: Isso é segredo!

O que você tem vindo pela frente? 

BL: Eu dirigi um filme que o Sam Jackson está, chamado ‘Unicorn Store’. Estou editando, no momento.

Você tem a mesma paixão por todas as coisas da indústria que você tentou?

BL: Eu acho que elas se completam. Elas todas conversam entre si. Gosto de me sentir fora do balanço, gosto de testar coisas novas para que eu não fique acomodada a uma só. Você pode desenvolver péssimos hábitos. Como atriz, acho que você pode desenvolver péssimos hábitos, se você fizer a mesma coisa, todos os dias. Você fica preso a uma rotina. Eu gosto de pular entre os gêneros, e então fazer uma pausa e aprender algo novo. Eu gosto de sentir que eu continuo aprendendo.