A atriz vencedora do Oscar é uma grande defensora das vítimas da violência machista.

Os braços de Brie Larson dizem muitas coisas. Falam de amor e amizade nesse abraço de amiga para amiga, que deu a Emma Stone – vencedora do mesmo Oscar que ela ganhou no ano passado.

”O que é melhor que ganhar? Ver os seus amigos ganharem.” Tuitou a californiana de 27 anos na cerimônia. Seus braços também falam de ação, agora a frente de Kong: A Ilha da Caveira. Para essa nova versão, Larson treinou duas horas diárias, ”uma combinação de pesos e corridas até cair como uma gelatina”, pelas selvas do Vietnã. ‘‘Eu tinha que estar em forma para ficar bem na câmera, mas, sobre tudo, porque as filmagens não paravam”, brinca.

Ela recebeu esse noticiário gelada em um dia de tempestade, vestida em seu Rosetta Getty entre as mantas do hotel Ritz Carlton. Durante a entrevista preferiu não opinar sobre sua reação quando teve que entregar o Oscar de melhor ator a Casey Affleck. Seus gestos falaram por si, seus braços rígidos, sem aplaudir e olhando para o chão. Como já aconteceu nos Globos de Ouro, onde nem o abraçou, o feito de que a protagonista de O Quarto de Jack, e desde então defensora das vítimas da violência sexuais e machistas, ter que entregar uma estatueta ao jovem Affleck, acusado em 2010 por abusos sexuais (o caso nunca foi ao tribunal), não foi de seu agrado.

Para Brianne Sidonie Desaulniers, seu nome completo, o cinema é mais que prêmios e vestidos bonitos. ”É uma forma de ativismo e é importante encontrar a mensagem na história para que tenha impacto no público”.

Desde que fez O Quarto de Jack seu apoio às vítimas de abusos sexuais não cessa. O abraço que deu faz um ano a cada um dos sobreviventes de violência sexual que foram ao Teatro Dolby para cantar com Lady Gaga se transformou em feitos, os de uma mulher que gasta pouco e doa muito. ”O Oscar não te faz melhor, mais interessante, mais divertida. É uma grande honra, mas penso que posso ser melhor atriz e melhor pessoa. Que não faço o suficiente para o mundo”, recapitula.

Brie Larson é a escolhida para interpretar a Capitã Marvel, a nova heroína de Os Vingadores. ”Não tenho uma agenda, mas sou consciente do impacto que o cinema produz no público e quero fazer em grande escala”, reconhece. Sabendo que muito poucos viram O Quarto de Jack comparado aos cinco milhões de euros em entradas que arrecadou com o filme Kong, uma produção de cerca de 120 milhões de euros que aos seus olhos fala do meio ambiente. ”Lembre-se de que eu me criei vendo em Star Wars uma alegoria sobre o mundo em que vivemos”, declara a intérprete.

Papeis mais reais

Com Capitã Marvel a aposta sobe.

”Necessitamos de outros tipos de heróis e quero ser mais ativa, participar da mudança porque os esteriótipos que vemos no cinema não existem nas ruas. Somos mais complicados”, adiciona disposta a se converter no que para ela é Sigourney Weaver, uma mulher complexa. ‘‘Capitã Marvel é a ponte entre dois mundos, que luta desde seus próprios erros para fazer do mundo um lugar melhor”, explica sobre sua influência no mundo dos heróis sem poder evitar o riso divertido que lhe escapa quando adiciona que seu personagem também ”voa e lança raios com as mãos”.

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