Em uma postagem recente no site Lenny Letter, Lenny reuniu cartas de diversos amigos sobre as eleições, intitulada: Após as eleições. Abaixo você pode conferir a tradução da carta escrita por Brie:

Estes últimos dez dias doeram. Eles pareceram como um golpe direto para os sonhadores, para os simpatizantes, para aqueles que ousaram ter esperança. Meu otimismo foi drenado do meu corpo, me deixando como uma concha, tremendo. No passado, eu sempre olhei o folclore para uma orientação, mas dessa vez, eu luto para achar um significado naquelas histórias.

O mal não vence nas fábulas. A inocência é resgatada. Ternura, compaixão, e entendimento elevam-se, não o ódio. Essas histórias têm guiado a minha vida, e não achar nenhum apoio naquilo que sempre me confortou foi esmagador. No entanto, depois de alguns dias de reflexão, eu percebi que eu estava errando em acreditar que as notícias que acordaram o mundo dia 9 de Novembro eram o fim da história.

Nesse ponto da narrativa, nós não chegamos à conclusão. Não é a hora de fechar o livro. Nós mal atingimos o clímax de um conto, definido como o momento em que a tensão atinge o pico — o “ponto de crise” da trama. É o momento onde o crescimento ocorre; onde o manto da naïveté (ingenuidade) é derramado. Na quarta-feira, 10 de Novembro, nós vimos diversos cantos escuros desse país, e nós aprendemos que a vida é complicada, que pode ser assustadora, e que as florestas podem estar cheias de terrores. Mas, como no folclore, quando a inocência morre, um mais novo, mais forte herói emerge, com ferramentas na mão, seguindo para a resolução.

Agora mesmo nós devemos estar segurando nossa respiração pois não temos certeza do que acontecerá. Pode sentir-se sem esperança, mas o que eu gostaria de te lembrar — e eu espero que você não ligue para spoilers— é que você está prestes a lembrar que você segura a chave para o fim dessa história. Simbolicamente, a chave é a casca do pão usada para trilhar o caminho de volta para casa, ou a tocha que somente o herói pode acender. Na nossa realidade, é lembrando que a nossa força e a nossa paixão não foram levadas embora. Nós apenas ficamos mais altos. Crescimento pode ser doloroso, mas a dor não é mais uma sensação que podemos ignorar. Ao invés disso, nós podemos vê-la como um meio para entender melhor o que realmente nos move. Os heróis e heroínas ouvem o choro dentro de si mesmos e os escutam. Identificam o que está dizendo. O que você sente está no risco que precisa da sua atenção? Isso é a sua bravura? Não rejeite a ligação. Você tem mãos para criar, braços para segurar, pernas para te levar longe, e bocas para falar a verdade alto. Tudo o que você precisa para transmitir o medo que carrega dentro de você.

“Qual a resolução, e como a história acaba?” você deve estar se perguntando. Isto está com você. Eu sei que se continuarmos a levantar a nossa voz e defender o que acreditamos, nós podemos avançar — re-energizados e empoderados — como heróis da nossa própria história. Nós podemos ser líderes de uma mudança se começarmos a dar mais do que recebemos. Juntos, nós vamos atravessar essa floresta.